A continuidade de qualquer negócio é determinada pela qualidade de seus investimentos, e por conseguinte, pela rentabilidade por eles proporcionada. Quanto maior o grau de rentabilidade para dado investimento, maior o lucro e fluxos de caixa gerados.

A sobrevivência de uma empresa varejista no curto prazo é dada por sua capacidade de pagar os compromissos que vencem no dia a dia. Tais como salários, fornecedores, tributos e despesas gerais de aluguel, energia etc.

No entanto, o que se requer da gestão financeira do varejo é sua sobrevida no longo prazo. Esta se dá mediante boas decisões, a saber, em que produtos e serviços investir, qual a dimensão do negócio, sua capacidade de atendimento e outras que definirão sua estrutura ao longo do tempo.

Fórmula Du Pont

Como medir e garantir que os ingressos no caixa proporcionem a rentabilidade adequada sobre os investimentos, de modo a tornar a empresa de varejo competitiva ao longo do tempo?

Iremos encontrar a resposta olhando para a bem conhecida fórmula Du Pont. Ela nos diz que a rentabilidade sobre o investimento é advinda da combinação entre margem de lucro e giro. Então, um misto de lucratividade e velocidade com que se vendem os estoques e/ou serviços.

A lucratividade, e especificamente a margem de lucro bruta, é dada pelo percentual de lucro bruto sobre as vendas. No fim das contas será uma relação entre preço de venda e custo da mercadoria ou serviço vendido.

Esta margem de lucro bruta é a principal responsável do fluxo de caixa, pois a partir do lucro bruto gerado é que se irão pagar todas as despesas: administrativas, de vendas, impostos sobre lucro e, eventualmente, juros de dívidas.

E o que sobrar será o lucro que ingressará de fato no caixa da empresa.

Giro dos ativos

O giro dos ativos, e particularmente trataremos aqui dos estoques, será uma relação entre as vendas e o decorrente investimento nos estoques.

Da combinação de margem e giro, pois, teremos como resultante a rentabilidade proveniente do investimento em estoques, ou simplesmente, o lucro bruto sobre o investimento em estoques.

Uma maneira de acompanhar esta rentabilidade ao longo do tempo é fazer a correta gestão sobre a margem de lucro bruta e o giro das mercadorias em estoque.

Dificilmente, ou por pouco espaço de tempo, qualquer negócio terá números máximos de giro e margem simultaneamente.

Seria o que chamaríamos de “negócio da China”. Todavia, é preciso constantemente observar e melhorar cada um dos dois indicadores.

Hábitos de consumo

Os hábitos de consumo do público alteraram-se substancialmente pós-pandemia. Observa-se a continuidade das compras online em volumes maiores do que antes da pandemia.

O recente fenômeno global de aumento de preços tem afetado as escolhas dos consumidores. Estas variáveis tocam diretamente na margem de lucro e no giro dos varejistas.

Uma forma de ampliar ou manter o volume de vendas é diversificar seus canais. Ao ingressar nas vendas online o varejista ampliará seu público comprador. Mas deve fazê-lo com qualidade e com uma logística adequada.

Equação do lucro

O aumento de preços é causado fortemente por fenômenos mundiais, que, portanto, fogem ao controle do varejista.

No entanto, remarcar preços simplesmente para garantir a margem de lucro pode significar perda de vendas.

A equação do lucro bruto é simples: vendas menos custos. O momento é de garantir vendas, com um reajuste cauteloso dos preços. Por si só esta tarefa não irá sustentar a margem de lucro necessária. Desta forma, é preciso aplicar uma gestão de custos eficiente:

– Evitar desperdícios na gestão dos estoques; e,

– Negociar com fornecedores até atingir os custos por unidade desejados.

Os desafios estão aí. Quando os ventos não são favoráveis, a boa gestão se torna imprescindível. É hora de ter a máxima atenção nestes dois indicadores: margem de lucro bruta e giro dos estoques.

Texto escrito por professor Marco Couto (Doutorando em Administração de Empresas FEA/USP; Mestre em Administração Contábil e Financeira EAESP/FGV; Bacharel em Economia FEA/USP. Docente desde 2001, atualmente é coordenador e professor da FIA – Fundação Instituto de Administração, em cursos de Pós-Graduação e MBA em Gestão de Negócios, Finanças e diversos cursos in company). 

Fonte – Redação IBEVAR