Todo grande evento tem dois roteiros. O oficial, que está no site, nos palcos e nos releases. E o real, que se forma na soma das conversas de corredor, dos olhares atentos nos estandes, das perguntas que ninguém faz no microfone, mas todo mundo comenta no café.

A NRF sempre foi mais sobre esse segundo roteiro.

Ao cruzar a agenda oficial com a evolução concreta do mercado e com o que o varejo já está sentindo na pele, arrisco dizer que a síntese da NRF 2026 não será tecnológica, será operacional, cultural e, acima de tudo, humana.

Registro nesse artigo as minhas sete apostas para essa edição que começou ontem, 11/01 e oficialmente termina em 13/01, mas como disse, a cidade pulsa esse grande evento e podem acontecer muita coisa nos dias que sucedem o final. Vamos saber!

IA deixa de ser protagonista e vira infraestrutura invisível

A inteligência artificial perde o status de estrela do palco e assume o papel que toda tecnologia madura inevitavelmente ocupa: infraestrutura.

Em 2026, não faz mais sentido perguntar quem usa IA. A pergunta passa a ser quem conseguiu integrar IA sem aumentar a complexidade do negócio.

A narrativa muda. Sai o “olha o que a IA faz” e entra o “onde ela realmente ajuda e onde atrapalha”.

A síntese é dura, mas honesta: IA não diferencia mais ninguém. Diferencia quem executa melhor.

O omnichannel morre como discurso, não como prática

Omnichannel não acaba. Ele apenas deixa de ser pauta.

Integrar canais virou obrigação básica, quase como aceitar cartão ou ter estoque minimamente organizado. Quem ainda apresenta isso como inovação está atrasado.

A conversa real evolui para arquitetura de decisão, resposta em tempo real e redução de atrito operacional.

O cliente não quer uma jornada bonita. Ele quer que o problema seja resolvido rápido.

Produtividade humana vira o verdadeiro tema central

Esse é o assunto mais importante da NRF 2026 e, paradoxalmente, o menos glamourizado.

O varejo vive um cenário claro: menos gente disponível, mais custo, mais complexidade e menos margem para erro.

A tecnologia entra como suporte, não como solução mágica.

A síntese é simples e desconfortável: o maior gargalo do varejo não é tecnológico, é humano.

IA aparece como ferramenta para aliviar carga cognitiva, apoiar decisões e sustentar operações mais enxutas.

Experiência deixa de ser encantamento e vira eficiência emocional

A palavra experiência continua sendo usada, mas o significado muda profundamente.

O consumidor está cansado de ser impressionado. Ele quer ser respeitado no tempo, na atenção e no esforço exigido.

A melhor experiência, em 2026, é aquela que não gera fricção, não exige aprendizado e não cria obstáculos artificiais.

Menos espetáculo, mais fluidez invisível.

Retail media se consolida, mas perde o glamour

Retail media entra definitivamente na fase adulta.

Sai o discurso de “nova mina de ouro” e entra a conversa sobre governança, qualidade de dados, limite de saturação e impacto real em vendas.

Quem estruturou bem, colhe resultados. Quem entrou pelo hype começa a recalcular expectativas.

A síntese é clara: retail media é um negócio sério, não um truque de curto prazo.

A loja física não volta, ela muda de função

Não existe mais debate sobre a sobrevivência da loja física. Essa discussão ficou no passado.

A pergunta agora é: qual o papel da loja dentro de uma operação cada vez mais distribuída?

A loja aparece como ponto de decisão, assistência, logística, mídia e relacionamento. Menos palco, mais engrenagem.

A loja deixa de ser o fim da jornada e passa a ser um momento estratégico dela.

O grande subtexto da NRF 2026

Se eu tivesse que resumir o evento em uma única ideia, seria esta:

O varejo entrou definitivamente na era da maturidade tecnológica e da escassez operacional.

Não se trata mais de adotar o novo. Trata se de sustentar, simplificar e extrair valor real do que já foi adotado.

A NRF 2026 não vai premiar quem viu mais inovação. Vai beneficiar quem voltou para casa com menos ilusão e mais clareza.

E, curiosamente, isso costuma ser o aprendizado mais valioso de todos.

Pós evento online NRF 2026

O IBEVAR reunirá especialistas que estão nesse grande evento em uma LIVE para compartilhar os insights da NRF’s Big Show 2026. Eu estarei presente falando sobre os detalhes mais importantes que identifiquei nessa edição.

Anote em sua agenda executiva e fique ligado nas redes sociais do IBEVAR para não perder o prazo de inscrição para participar e debater temas relevantes conosco!

Dia – 05/02/26 / Horário – 19h30 / Modalidade – online

Texto escrito por Caio Camargo

Caio Camargo é  Palestrante sobre inovação e gestão no varejo | Top Voice em Varejo | Transformando inovação em ação | Autor de best-seller | Host do [varejocast]

Fonte: Redação IBEVAR