Até mesmo os executivos experientes perdem oportunidades quando não conectam sua trajetória à vaga desejada; entender e comunicar esse alinhamento é decisivo na recolocação.
Atualmente não basta ter uma trajetória sólida ou resultados expressivos: é preciso saber traduzir esse valor para cada oportunidade.
No atual cenário de recolocação profissional, uma questão tem se mostrado cada vez mais decisiva — e, curiosamente, ainda subestimada por muitos executivos: o alinhamento entre o currículo e a vaga desejada.
Estratégia profissional
O que diferencia um currículo comum de uma candidatura estratégica é a clareza com que o profissional comunica quem é, o que busca e por que aquela vaga faz sentido para sua história. Quando mensagem e propósito se alinham, a chance de destaque se multiplica — e as portas certas começam a se abrir.
Tive recentemente a oportunidade de abordar esse tema em uma entrevista para a Rede Globo – EPTV, e a conversa reforçou algo que observo todos os dias no acompanhamento de profissionais em transição de carreira: mesmo aqueles com sólida trajetória, boa formação e histórico de entregas consistentes podem perder oportunidades por não comunicarem com clareza o que realmente desejam — e o que têm a oferecer.
É comum encontrar currículos extensos, com excesso de informações, habilidades genéricas e descrições que não dialogam com a posição almejada. A intenção pode até ser boa — “mostrar tudo o que sei” —, mas o efeito costuma ser o oposto: falta de foco, percepção de desalinhamento e, por vezes, o rótulo de “super qualificado”.
Personalização é um diferencial
Vivemos uma era em que a personalização deixou de ser um diferencial e se tornou uma exigência. Isso também vale para quem busca uma vaga. Um currículo estratégico não é aquele que diz tudo, mas sim o que diz o essencial com precisão.
Adaptar a mensagem ao interlocutor — no caso, o recrutador — é um gesto de inteligência e respeito ao processo seletivo. Mais do que listar experiências, trata-se de comunicar, de forma objetiva, como aquelas competências se conectam com o que a empresa busca.
Clareza de propósito
É um exercício que exige reflexão, autoconhecimento e, principalmente, clareza de propósito. Afinal, quem não sabe exatamente que vaga deseja ocupar, dificilmente será lembrado quando ela surgir.
Esse tema — o alinhamento entre posicionamento, estratégia e comunicação na recolocação — ainda precisa ser debatido com mais profundidade nas empresas, nos departamentos de Recursos Humanos, entre os líderes de gestão de pessoas e profissionais em transição.
Texto escrito Por Maria Emilia Leme
Maria Emilia Leme é Diretora Vogal do IBEVAR – Job Hunter(contato – mariaemilialeme@outlook.com)
Fonte – Redação IBEVAR