Não É Só Impressão:
A Percepção Popular Segue o Ritmo Real
da Inflação
Estudo revela como as variações no sentimento do consumidor acompanham em tempo real as acelerações e desacelerações do IPCA.
Agosto de 2026
Percepção em tempo real: o consumidor sente o ritmo da inflação, mas perde a conta do acumulado.
O estudo do IBEVAR e da FIA Business School (agosto de 2026) compara o IPCA com o volume de buscas no Google Trends sobre preços, de 2004 a 2026, usando o teste de cointegração de Engle-Granger. Em nível, as séries não são cointegradas: a distância entre a inflação oficial e a percepção só cresce, o que explica por que as pessoas sentem que “está tudo caro” mesmo com índices menores, já que perdem a noção do acumulado ao longo dos anos. Em variação mês a mês, porém, elas são cointegradas: o consumidor reage em tempo real às acelerações e desacelerações do IPCA, e como sente os preços antes de o IBGE divulgar o dado, as buscas funcionam como indicador antecedente da inflação do mês seguinte.
Após um choque de preços, o “susto” perde metade da força em cerca de 2,3 meses e se dissipa em 90% em cerca de 7,7 meses. A conclusão dos autores é que a dor do consumidor com a inflação não é imaginária, mas ele é ruim de matemática: sente a velocidade da mudança, não o total acumulado.
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