No início do ano, projeção era otimista, com crescimento de até 3,5% nas vendas durante o ano

Até fevereiro, as projeções eram positivas para o mercado de consumo em 2020. Segundo os índices do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), o crescimento seria na ordem de 3% a 3,5% em relação a 2019, que registrou um avanço de 4,3% em dados reais comparado com 2018.

Mas, com a crise do coronavírus (COVID-19), a projeção para o ano é uma queda de 10% no varejo, em relação ao ano anterior. Para o economista e presidente do IBEVAR, Claudio Felisoni de Angelo, o que era para ser um ano de recuperação do varejo, mesmo que de forma tímida e gradual, deu lugar a uma retração significativa nas vendas, principalmente de produtos não-essenciais. “O brasileiro se encontra em um momento de incerteza e é normal que opte por restringir o orçamento mensal apenas a itens essenciais, como alimentos e medicamentos. Estes dois setores são os únicos que apresentam avanço nestes últimos meses”, observa o especialista.

Segundo Felisoni, no início do ano, o aumento de categorias como móveis, eletrodomésticos e automóveis seria o principal indício de uma retomada do consumo. “Até fevereiro, as projeções indicavam uma recuperação considerável do varejo e um interesse maior na compra de bens duráveis por parte dos brasileiros. Mas a crise sanitária e econômica que enfrentamos agora mudou o rumo desta retomada e não podemos esperar uma superação em menos de um ano, com bastante otimismo”, avalia o economista do IBEVAR.

Nem mesmo as datas sazonais foram o suficiente para mudar este cenário. No Dia das Mães, por exemplo, o consumo costuma registrar, dependendo das categorias, um aumento de 40% da média anual. Somado aos demais períodos de maio, o índice foi de -22,11% nas vendas, em relação ao mesmo mês de 2019.

Em meio a essa queda brusca no desempenho do varejo, o comércio eletrônico deu um fôlego nas vendas e ajudou muitos brasileiros em quarentena. Um levantamento realizado pela Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado voltada a e-commerce, e pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) compara as vendas on-line do período de fevereiro e março deste ano, em relação ao ano anterior. A análise revela que as categorias de destaque são supermercado com 80%, saúde com avanço de 111% e beleza e perfumaria com aumento de 83%.

“Foi uma solução encontrada pelos consumidores para realizar suas compras, até mesmo de itens essenciais, mas, mesmo com números significativos, o comércio eletrônico não deve reverter a retração de 10% no varejo ampliado este ano”, finaliza Felisoni.

Sobre o IBEVAR

O IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo – é uma instituição sem fins lucrativos, que se propõe a produzir conteúdo no setor de Varejo & Consumo, promover networking entre executivos que atuam nessa área e gerar negócios entre os participantes. O IBEVAR atua em conjunto com o PROVAR/FIA no desenvolvimento dos executivos de varejo. www.ibevar.org.br