Não há nada mais incerto que prever o que está por vir. É sempre um risco.  A realidade costuma ser surpreendente. Os elementos que estão fora do raio de percepção dos mais cuidadosos analistas são tantos e se combinam de tal forma que muitas vezes mudam por completo a direção daquilo que a racionalidade indica.

De qualquer forma é sempre bom exercitar. Pensar sobre o futuro ajuda a organizar o pensamento e principalmente suscita o debate, o que por si só, já se constitui em um precioso elemento para a compreensão dos fatores determinantes do cenário político, econômico e social.

A verdade é que a recuperação das vendas está ocorrendo quase que de forma absolutamente natural. Deve-se considerar que as vendas vem seguindo ladeira abaixo há bastante tempo. De 2015 para 2016 as vendas reais caíram nada menos que 7%. No período seguinte, ou seja, 2015/16, a queda foi ainda maior, 9%. Em outras palavras há um represamento da demanda motivada obviamente pela queda da renda real das famílias, desemprego e falta de confiança dos indivíduos relativamente às condições para manterem-se trabalhando.

A recessão ela própria amplia as possibilidades de retomada. A demanda fraca reduz a pressão da inflação, esta por sua vez, muito mais baixa propicia a redução das taxas de juros. Em outubro de 2016 a taxa de juros na ponta era de 98,95%. Um ano após, outubro do corrente, a mesma taxa era de 92,51%. Ainda muito alta, mas significativamente mais baixa, isto é, mais de seis pontos percentuais menor que a registrada no mesmo período do ano
anterior.

A renda real das famílias por seu turno também vem se recuperando gradativamente. A menor taxa de inflação explica esse movimento ascendente da renda real das famílias. Nos últimos doze meses a renda real cresceu 6%. Tal expansão vem sendo acompanhada de uma melhora da empregabilidade desde março de 2017.

Essas condições mais favoráveis permitem que se estime um aumento real das vendas entre seis e oito por cento para 2018. É importante assinalar, contudo que a política define a economia e não o inverso. O inverso até pode ocorrer, porém de modo transitório. A expansão do consumo de modo sustentável só se dará com o crescimento dos investimentos e, estes por sua vez dependem das escolhas políticas que fizermos daqui em diante.

Fonte: IBEVAR | Claudio Felisoni de Angelo, Presidente do Conselho do IBEVAR